Quer que eu desenhe?

“Quer que eu desenhe?” provavelmente é uma frase que muitos de nós já pensamos, falamos ou ouvimos. Desde os primórdios da humanidade deixamos nossas representações do mundo desenhadas por aí. É bem possível que numa caverna qualquer, milhares de anos atrás, um Neandertal tenha pedido a seu colega que “desenhasse” uma explicação mais visual sobre como seria uma caçada, daí temos animais, lanças e cenas de toda parte pintadas nas paredes de cavernas ao redor do globo. “Quer que eu desenhe” reflete a realidade da profissão de muita gente boa hoje e ao longo de toda história da humanidade.

UM POUCO DE HISTÓRIA

Talvez o maior exemplo do sentido literal desta frase sintetizada numa pessoa poderia ser o artista do alto renascimento Leonardo da Vinci (1452 – 1519). Sua genialidade e capacidade de raciocínio visual e analítico o permitiu permear por diversas áreas do conhecimento com excelência. Foi cientista, matemático, engenheiro, inventor, anatomista, pintor, escultor, arquiteto, botânico, poeta e músico. E pôs no papel toda sua genialidade visual permitindo que, até hoje, estudiosos destas áreas investiguem suas engenhocas e sua arte, admirado como um dos maiores pensadores da nossa era.

MUDANDO A PERSPECTIVA

Hoje, a diferença é que podemos encontrar um carnaval de títulos que define o pensador visual ou a possível área em que este pode atuar; desenhista, arquiteto, ilustrador, designer, estilista, arte finalista, projetista, “concept artist”, animador, diretor de arte, fotógrafo, pintor, designer de interiores, publicitário, artesão, designer de moda, tatuador, engenheiro, e por aí vai. A grande maioria das áreas de atuação humana exige alguma forma pensamento visual do profissional, por vezes definido como o “criativo”, de raciocínio visual ou projeção mentalizada dos pensamentos seja de objetos, estruturas ou de processos.

RACIOCÍNIO VISUAL

Tudo começa com uma visualização mental que se não for compartilhada através de palavras ou números, provavelmente será através de desenhos, formas, gráficos, cores, figuras e abstrações. Aliás, existe uma área de atuação em que se faz justamente isso para outras pessoas, grupos em reuniões e processos em tempo real, que se chama “Facilitação Gráfica” e nada mais é do que representações visuais que muitos de nós já experimentamos fazer durante a infância, ao organizar e estruturar nossas explicações mentais nos cadernos de escola, com “letterings” ou caligrafias diferentes, desenhos, formas e ícones ou ao tentar explicar algo para alguém fazendo “rabiscos”.

VALORIZE O SEU ARTISTA INTERIOR

O formato atual das escolas, é um dos responsáveis por matar a criatividade, pois a maioria não trata a arte com a mesma seriedade com que são tratadas outras disciplinas. Por isso, muitas vezes cabem as escolas de arte acolherem os novos talentos e retomarem a criatividade que lhes foi polida, orientando e direcionando os novos artistas a aplicarem o desenho – e todas suas formas de expressão, nas mais diversas áreas de atuação profissional. Todos raciocinamos de forma associativa e conseguimos projetar o futuro de nossos conceitos, ideias e pensamentos de forma intuitiva, lógica e visual. O desenho serve para conseguir visualizar os pensamentos, eventualmente colocando-os em ação. Para fazer isso bem feito, o profissional deve educar-se.

TODO MUNDO DESENHA

Está na hora de desmistificar a ideia de que para desenhar bem é preciso ter talento. Se você acredita nisso, aconselho que repense tal afirmativa, pois talento é um facilitador e não uma regra para se começar a desenhar. Antes de qualquer coisa, desenhar bem é estudo, prática e boas referências. Todo mundo é bom naquilo que se dedica, e dedicação leva ao aperfeiçoamento. Um dia você não conseguia segurar um lápis na mão, e no outro já estava desenhando bonecos palito, então o que te faz pensar que não é capaz de avançar do boneco palito para figuras humanas mais reais? Tudo é questão de tempo. Então o que te falta não é talento, é motivação e paciência. Porque repito, todo mundo sabe desenhar, basta correr o risco de traçar o primeiro risco, então não tenha medo de traçar os seus.

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